❝- Boa noite.
- Pra você também.
- Você tem muito que aprender ainda.
- Do que você tá falando?
- Nada. Esquece.
- Agora fala.
- Não vale a pena.
- Então tá.
- Tá vendo…
- Vendo o que?
- É isso que me irrita!
- Não to te entendendo.
- Ninguém entende.
- Então me explica.
- É que você não entende as entrelinhas. Você não percebe quando a pessoa tá te dando brechas. Você é muito idiota pra isso.
- Continuo sem entender.
- Meu Deus! Como você é idiota, ou se faz.
- Vai me explicar ou me agredir?
- É que quando eu te desejo boa noite, eu quero que você me peça pra ficar, que me pergunte “mas já?”… Sei lá, que fale qualquer coisa que dê a entender que sou importante pra você, que dê a entender que falar comigo é uma coisa boa.
- Agora entendo.
- Bem… É isso… Boa noite.
- Mas já?
❝E a dor? Você guarda, tranca a sete chaves. Assim você evita perguntas e condenações, afinal, não se importam nem com o seu sorriso, quem dirá pela sua dor.
❝Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando e não posso falar.
❝Fiquei tão só, aos poucos. Fui afastando essas gentes assim menores, e não ficaram muitas outras. Às vezes, nos fins de semana principalmente, tiro o fone do gancho e escuto, para ver se não foi cortado. Não foi.